Cacos
Para ela,que sabe quem é.
Em nome de todas as incríveis coincidências...
Por essa,em especial.
Algo se quebrara naquele dia. Não tinha certeza se havia sido algo dentro do seu peito oprimido ou se fora o invólucro de cristal que a havia protegido todos aqueles anos. Algo se quebrara.
Temia ter exposto sua tristeza e fraqueza, seus indícios de humanidade. Não, não era divina. Não era um anjo. Contivera lágrimas e reprimira dores e amores, impulsionada pelo insano medo de se expôr. Sentia-se nua.
Não sabia se aquilo que se quebrara havia tranformado-a em alguém diferente. A possibilidade e o segredo pareciam fazer parte dela. Guardar partes de si para egoista e vagarosamente mostrar apenas para sí própria pareciam descrever traços de sua personalidade. Havia mundos inteiros em seu coração que ela não explorara, aguardando o momento em que eles se revelassem espontaneamente diante de seus olhos.
Algo se quebrara naquele dia. Algo que havia ferido profundamente sua alma, que agora parecia perdida e sem limites. Crescera indefinidamente. Por momentos havia se arrependido, por momentos se regozijara. Sentia-se liberta e aprisionada, como que limitada por suas próprias ilimitações. Uma nova bolha se formara sobre ela, fazendo-a almejar os novos horizontes que avistava. Temia a liberdade alcançada e a possibilidade de se ferir em seus próprios cacos. Aquilo que se quebrara pulsava e rasgava dentro de si.
Agora ela sabia
o quanto doía
voar.
Comentários
Vocabulário primoroso tb ;)
Voar dói...
Nunca, nunca, nunca deixe de escrever.
Ultimamente eu mesma tenho escrito algumas coisas (!) e relido alguns escritos dos meses passados.
Tudo é uma grande transformação!
Beijos, poetisa!
Sim, voar dói. Mas não podemos viver pra sempre no nosso mundinho e pra alcançar tudo que o horizonte oferece só existe um caminho: Voando.
Ademais, continue escrevendo, pois cada uma de suas poesias supera a anterior. E faça mais daqueles contos, o que tem mais abaixo é muito interessante. Gostei muito do estilo.
Até um outro dia, bye.