Lino
Oculto por Lino Pires
Papai acha que engana a alguém
Oh,tolinho insensato
Não vê que, no anonimato,
Esconde o talento que tem!
ANO NOVO [Lino Pires]
Depois de uma noite de lua quase cheia,
Vejo o dia amanhecer.
Entrevejo Vesper entre
As grades da minha janela.
Fico pensando:Diabos, estarei preso eu ou ela?
Afinal, eu posso abrir a porta,
Sair com o meu cachorro,
Fazer xixi no poste,
Passear, pedir socorro,
Se for esse o meu entendimento.
Enquanto isso, aquela mísera luzinha azulecida
Estará para sempre fixa
Em um incerto lugar no firmamento,
Sem poder falar, sem poder chorar,
Sem poder sair do seu lugar.
Apenas pulsando a luz reflexa,
Até que o dia amanheça
E ela desapareça.
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D I S T Â N C I A [Lino Pires]
A distância é ambígua,
Traiçoeira e trágica.
Balsâmica e antropofágica.
Alimenta-se de amores
E de dores .
Cura as feridas de um amor falido
E suga a seiva de outro,
Que queria ser vivido.
É idiota e sábia,
Formosa e feia.
Sensual e perigosa,
Como uma sereia.
Mas vivo no mar,
Não tenho medo de navegar.
Um pouco sou como ela,
Desafio-a .
Inflo um farrapo de vela,
Náufrago orgulhoso,
Como Ulisses,
E sonho um porto seguro.
Comentários
Acho que agora fui meio confuso, mas eu vejo a diferença principalmente ai, na força motivadora da literatura. Vejo o escapismo ai, Não como um fim em si mesmo, mas como um motivo para a produção romântica. ^^
E realmente o embate entre razão e emoção é extremamente complicado. Acho que o mais difícil mesmo é saber dosar cada um, pra hora certa.
Hum, muito bela essa poesia, gostei mesmo ^^
A primeira dá até pra imaginar a insônia do vivente, pensando, pensando...
Eita eita que legal...minha família tá cheia de bons genes literários! hehehehe
Tal pai, tal filha ;)