Sol

Cada um vive a vida
Do jeito que lhe apraz:
Tem gente que guarda tudo,
Tem gente que se desfaz.
Em um dia mormacento,
Há quem pense no inferno.
Mas que grande estupidez,
Melhor pensar no inverno!

Nos dias em que há brisa,
Que nos balançam os cabelos,
Há os que trabalham e os que ficam em casa:
há aqueles que preferem sofrer.
Uma tarde tão bonita!
E parece que ninguém vê...

Como a eloqüência de um mudo,
Ou um cego que vê demais,
Há quem olhe para o absurdo
E entenda o sentido que faz.

Comentários

John, O Lobo disse…
Me dá arrepios pensar em mundo diferente! Ainda bem que cada um vê a vida de um modo diferente. A unanimidade me assusta, a contrariedade me inspira devoção!
Gabriella Porto disse…
Olá, dona moça! Vi seu blog na comunidade 'Nova Literatura Brasileira' e resolvi dar uma conferida. Não poderia ter feito melhor! Bela estética, você trabalha bastante com a sinestesia e com a imaginação. Gostei da maneira delicada como descreve tudo e da suavidade com a qual suas rimas escorregam pelos ouvidos e boca de quem lê.
Parabéns!
Anônimo disse…
As coisas que tu diz fazem muito sentido nana, realmente, as rimas escorregam pelos ouvidos..
Parabéns!
Max disse…
Já havia lido seus textos antes, mas esse especificamente me chamou mais atenção do que qualquer outro. Na verdade, achei lindo, até a sonoridade do poema me emociona, desperta sensações.
Parabéns pelo blog, mas parabéns principalmente pela forma como você vê: mais profundamente que a maioria das pessoas.
Nanda disse…
Caramba, fazia tempo que eu não pensava em sinestesia!

Brilhante como sempre. x]
Vitor disse…
O inverno parece chegar.
Mostra-me os pensamentos únicos do frio, de dulçor ousado.
Lembra-me dos olhos e os cachos de cabelos pendentes por sobre as malhas.
Ensina-me a mais uma vez recolher o sol num abraço e soltar o frio em debandada.

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