Matéria já deformada
Por tantos pecados distintos
Sigo andando pela rua
Entre os olhares famintos
Por vezes sinto-me nua
Quase nunca
nada sinto

Erro ao fazer o certo
Não acerto ao errar, também
O amanhã foi mais belo que hoje
O que é que meus olhos não vêem?
Sigo a partitura
Não é a cura
E não soa bem

Entre vazios e plenos
Entre antídotos e venenos
No começo e no fim dos tempos

Não há satisfação.

Comentários

Rubia disse…
Efemeridade. A satisfação é efêmera. É bom que assim o seja, para que, insatifeitos, nos obriguemos a buscar mais propósitos.

Nesse complicado sistema de busca, a que nossos caminhos nos levam, é que reside, a meu ver, o sentido da vida. Não há projetos impossíveis. Esses são somente projetos não materializados porque se desistiu deles. Ainda que não haja possibilidade concreta para sua realização, o simples fato de não se desistir deles já os faz terem vida e tornarem-se factíveis.

Já que a satisfação - assim como tudo - é efêmera, nesses poucos instantes em que ela tiver existência, que seja como o esplendor de uma borboleta que acabou de desenrolar suas asas e está pronta para se lançar aos ares, ainda que não tenha certeza se suas cores são tão eficientemente belas como deveria...

Amo você, filha que nunca tive.
John, O Lobo disse…
Esse foi bem mais sombrio. Mas nos últimos tempos a soturna austeridade tem me parecido sinal de crescimento, mesmo de maturidade.
Pitty3200 disse…
Muitas pessoas sentem o mesmo que você.

Um poema muito sombrio e realista.

Gostei!
Elvis Marlon disse…
Bacana seu trabalho. Também gosto muito de trabalhar o pessimismo na poesia... Quando quiser... www.elvismarlon.blogspot.com tem umas coisas legais lá... Mas gostaria de lhe convidar mais ainda à conhecer o Folhetim Virtual www.folhetimmvirtual.blogspot.com
Saúde!
Anônimo disse…
Genial post and this enter helped me alot in my college assignement. Thank you on your information.

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