Matéria já deformada
Por tantos pecados distintos
Sigo andando pela rua
Entre os olhares famintos
Por vezes sinto-me nua
Quase nunca
nada sinto
Erro ao fazer o certo
Não acerto ao errar, também
O amanhã foi mais belo que hoje
O que é que meus olhos não vêem?
Sigo a partitura
Não é a cura
E não soa bem
Entre vazios e plenos
Entre antídotos e venenos
No começo e no fim dos tempos
Não há satisfação.
Por tantos pecados distintos
Sigo andando pela rua
Entre os olhares famintos
Por vezes sinto-me nua
Quase nunca
nada sinto
Erro ao fazer o certo
Não acerto ao errar, também
O amanhã foi mais belo que hoje
O que é que meus olhos não vêem?
Sigo a partitura
Não é a cura
E não soa bem
Entre vazios e plenos
Entre antídotos e venenos
No começo e no fim dos tempos
Não há satisfação.
Comentários
Nesse complicado sistema de busca, a que nossos caminhos nos levam, é que reside, a meu ver, o sentido da vida. Não há projetos impossíveis. Esses são somente projetos não materializados porque se desistiu deles. Ainda que não haja possibilidade concreta para sua realização, o simples fato de não se desistir deles já os faz terem vida e tornarem-se factíveis.
Já que a satisfação - assim como tudo - é efêmera, nesses poucos instantes em que ela tiver existência, que seja como o esplendor de uma borboleta que acabou de desenrolar suas asas e está pronta para se lançar aos ares, ainda que não tenha certeza se suas cores são tão eficientemente belas como deveria...
Amo você, filha que nunca tive.
Um poema muito sombrio e realista.
Gostei!
Saúde!